A VARIAÇÃO DAS FORMAS DE FUTURIDADE: UMA REDE CONSTRUCIONAL DA FUTURIDADE NAS CARTAS DE SERTANEJOS BAIANAS

Autores

DOI:

https://doi.org/10.36112/issn2595-1890.e12162610

Palavras-chave:

gramática de construções, linguística funcional-cognitiva, sociolinguística variacionista, futuridade, cartas sertanejas baianas

Resumo

O artigo descreve a rede de construções possíveis referentes às formas de futuridade, como fenômeno de variação na gramática de construções do Português Brasileiro, na linha da teoria da construcionalização. Assim, tem-se, como aparato teórico, a Teoria da Variação e Mudança (Labov, 1972, 1994) e a Gramática de Construções Baseada no Uso (Bybee, 2010, 2013; Croft, 2001; Goldberg, 1995, 2013; Traugott e Trousdale, 2013), sob o olhar da Linguística Funcional-Cognitiva. Centrou-se a pesquisa observacional na descrição de todas as construções marcadoras de futuridade e fez-se a análise apenas nas formas perifrásticas poder + infinitivo e querer + infinitivo, apesar de se ter descrito as estratégias com os auxiliares ir e haver e outros. Para isso, buscou-se o corpus com 91 cartas privadas do século XX, de redatores do sertão baiano (cf. Santiago, 2012). Elaborada a rede de construções relacionais dos usos/constructos, constatou-se (1) um número maior de estruturas perifrásticas, sendo a (2) aloconstrução ir + infinitivo a predominante; e, em uma análise mais exclusiva, (03) conferiu-se o atributo semântico “volitivo-permissivo” e “volitivo-ponderativo” para o auxiliar poder e “volitivo-puro” para querer.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

CROFT, William. Radical construction gramar. Oxford: Oxford University Press, 2001.

FERREIRA, Bruna Gois Pavão. A variação na construção relacional de mudança de estado: ficar, tornar-se e virar. Caderno Seminal Digital Especial, n. 30, v. 30, jan.-dez. 2018. Disponível em: http://dx.doi.org/ 10.12957/ cadsem.2018.32526.

GOLDBERG, A. Constructions: a construction gramar approach to argument structure. London: University of Chicago Press, 1995.

GOMES, Ana Quadro; MENDES, Luciana Sanchez. Para conhecer Semântica. São Paulo: Contexto, 2018.

JOHNEN, Thomas. A semântica dos verbos modais e suas funções discursivas numa perspectiva de pragmática funcional. In: MARÇALO, Maria João et al. (Eds.). Gramática e construção discursiva: estudos da Língua Portuguesa e uso. Revista Língua portuguesa: ultrapassar fronteiras, juntar culturas. Lisboa: Universidade de Évora. 2010.

LABOV, William. Sociolinguistic Patterns. Philadelphia: University of Pennsylvania Press, 1972.

LABOV, William. Principles of Linguistic Change. Oxford/Cambridge: Blackwell, 1994.

LANGACKER, R. Foundations of Cognitive Grammar. Vol. 1. Theoretical prerequisites. Stanford: Stanford University Press, 1987.

LANGACKER, R. Foundations of Cognitive Grammar. Vol. 2. Descriptive application. Stanford: Stanford University Press, 1991.

MACHADO VIEIRA, Marcia dos Santos. Variação e mudança na descrição construcional: complexos verbo-nominais. Revista Linguistica, [S.l.], 2016, p. 152-170.

MACHADO VIEIRA, Marcia dos Santos; WIEDEMER, Marcos Luiz. A variação no modelo construcionista da linguística funcional-cognitiva. LIVRO CLÁUDIA, resultado do encontro de Porto Alegre, 2017.

MACHADO VIEIRA, Marcia dos Santos. Perífrases verbais: o tratamento da auxiliaridade. In: Silvia Rodrigues Vieira; Silvia Figueiredo Brandão. (Orgs.). Morfossintaxe e ensino de português: reflexões e propostas. 1ed.Rio de Janeiro: Faculdade de Letras - UFRJ, 2004, v. 1.

MARQUES, Priscilla Mouta; PINTO, Deise C. de Moraes. Gramática como rede: relações entre construções. Revista LinguíStica/Revista do Programa de Pós-Graduação em Linguística da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Volume Especial, dez de 2016, p. 128-138. ISSN 2238-975X 1. [http://www.letras.ufrj.br/poslinguistica/revistalinguistica].

PINHEIRO, Diogo. Um modelo gramatical para a linguística funcional-cognitiva: da Gramática de Construções para a Gramática de Construções Baseada no Uso. In: ALVARO, P. T..; FERRARI, L. (Orgs.). Linguística Cognitiva: dos bastidores da cognição à linguagem. Campos: Brasil Multicultural, a sair, 2016.

SANTIAGO, Huda da Silva. Um estudo do português popular brasileiro em cartas pessoais de ‘mãos cãndidas’ do sertão baiano. Dissertação de Mestrado (UEFS), v. II, Feira de Santana, 2012.

SANTIAGO, Huda da Silva; CARNEIRO, Zenaide Novais. Tratamento metodológico das mãos inábeis em corpora diacrônicos. In: CASTILHO, Ataliba T. de (Org.). História do português brasileiro vol. 2: corpus diacrônico do português brasileiro. 1.ed. São Paulo: Contexto, 2019, p. 92-119.

STEFFLER, Adriano. Os verbos modais do português sob uma perspectiva de traços funcionais. Dissertação de Mestrado. 91f. Universidade Estadual de Maringá, Maringá, 2013.

TRAUGOTT, E. C.; TROUSDALE, G. Constructionalization and Constructional Changes. Oxford: Oxford University Press, 2013.

WIEDEMER, Marcos Luiz; MACHADO VIEIRA, Marcia dos Santos. Sociolinguística e Gramática de Construções: o envelope da variação. In: FRANCESCHINI, Lucelene Teresinha; LOREGIAN-PENKAL, Loremi. (Org.) Sociolinguística: estudos de variação, mudança e atitudes linguísticas. Guarapuava: Ed. da Unicentro, p. 41-77, 2018b.

WIEDEMER, Marcos Luiz; MACHADO VIEIRA, Marcia dos Santos. Lexemas e construção: atração, coerção e variação. Caderno Seminal Digital Especial, v. 30, n. 30, 2018a, p. 81-132.

WIEDEMER, Marcos Luiz; MACHADO VIEIRA, Marcia dos Santos. Sociolinguística e Gramática de Construções: o desafio e as perspectivas de compatibilização. (Texto apresentado na ANPOLL-Cuiabá), 2019.

Downloads

Publicado

2026-06-11

Como Citar

SILVA, D. F. da. A VARIAÇÃO DAS FORMAS DE FUTURIDADE: UMA REDE CONSTRUCIONAL DA FUTURIDADE NAS CARTAS DE SERTANEJOS BAIANAS. Revista ComCiência - Multidisciplinar, [S. l.], v. 12, n. 16, p. e12162610, 2026. DOI: 10.36112/issn2595-1890.e12162610. Disponível em: https://revistas.uneb.br/comciencia/article/view/22406. Acesso em: 19 jul. 2026.