PEDRO PILÉ: UM CABRA CALMO QUANDO BRIGAVA, VALENTE E PERVERSO QUANDO TINHA RAIVA
Palavras-chave:
Pedro Pilé, Cangaço, política, oligarquias, canudos, guerra de canudos, padre cícero, juazeiro do norteResumo
Os sertões brasileiros constituem território espaçoso, distanciado da costa litorânea, comportando um mundo onde realidade e encantamento dialogam, se entrelaçam, se emaranham, se ferem; universo ocupado por uma gente miscigenada, mística, rude e audaciosa, cuja têmpera se forjou nas velhas contendas coloniais visando a submissão dos povos originários pelos invasores europeus, sedentos de tudo que lhes proporcionasse riqueza, imponência e poder. Esta política também se estenderia aos negros escravizados oriundos do continente africano ainda no século XVI. Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe, sofreram transformações significativas em decorrência de fatores econômicos, sociais, religiosos e culturais, em muitos aspectos distintos, mas amalgamados com novos elementos de fé, comportamento e domínio social, sendo este o habitat dos potentados e seus exércitos de jagunços. Pedro Pilé foi guerreiro porque tinha coragem para isso, mas, sobretudo, porque como muitos dos seus pares, a escolha vinha mais por necessidade que por vocação, aperfeiçoando na luta arte de matar e não morrer antes de disparar seu primeiro tiro.