O “ESPELHO PARTIDO”: A ENTREVISTA DE JOSÉ RUFINO NA COMPOSIÇÃO DO FIM DE CORISCO EM DEUS E O DIABO NA TERRA DO SOL

Autores

  • Leandro de Jesus da Silva IFBAIANO

Palavras-chave:

Narrativa, memória, cangaço

Resumo

O final de Deus e o Diabo na Terra do Sol – icônico filme do Cinema Novo, gravado em 1963 no sertão da Bahia – remete diretamente ao episódio da execução de Corisco, o último dos grandes cangaceiros, morto pelas volantes em Barra do Mendes, no oeste da Bahia, em 25 de maio de 1940. A partir de uma abordagem crítico-comparativa, este artigo analisa a sequência fílmica sobre o fim do cangaceiro, em contraponto à entrevista concedida pelo Major José Rufino – executor de Corisco – a Glauber Rocha no início da década de 1960, publicada no jornal soteropolitano Diário de Notícias. Embora a edição da entrevista projete a versão de Rufino sobre os derradeiros e violentos lances do cangaço sertanejo, enfatiza as manipulações do militar sobre a caçada desumana e covarde ao emblemático cangaceiro. Deus e o Diabo, cotejando a narrativa de Rufino, explicita suas contradições e revela as verdadeiras condições do confronto – Corisco estava desarmado e foi sumariamente executado. O filme incorpora criticamente o discurso oficial do militar (então agente da repressão do Estado brasileiro contra os bandos cangaceiros) para transformá-lo em denúncia da violência institucional contra a insubmissão dos sertanejos oprimidos e homiziados no banditismo social.

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Publicado

2026-03-10

Edição

Seção

Artigos