ENTRE O DETERMINISMO E A ÉTICA: JESUÍNO BRILHANTE E A CONSTRUÇÃO DO CANGACEIRO ROMÂNTICO NO IMAGINÁRIO NORDESTINO
Palavras-chave:
Cangaço, Jesuíno Brilhante, Literatura brasileira, Imaginário socialResumo
Este artigo examina a construção do cangaço como fenômeno social e literário no Nordeste do Brasil, com foco na figura de Jesuíno Brilhante e em sua representação no romance Os Brilhantes, de Rodolfo Teófilo. O estudo situa o surgimento do cangaço em um contexto de adversidade geográfica, violência persistente e prolongada ausência das instituições estatais, fatores que, juntos, fomentaram uma cultura de justiça privada e contribuíram para o aparecimento de figuras lendárias como o cangaceiro. Por meio de um diálogo entre a análise literária e as perspectivas histórico-sociológicas, o artigo explora como elementos naturalistas e românticos se fundem na representação de Jesuíno Brilhante, que incorpora tanto impulsos hereditários para a violência quanto um rigor ético singular. A análise identifica uma dualidade na personagem: ele é retratado como fruto do seu meio e, ao mesmo tempo, como alguém que mantém valores elevados, assumindo assim o papel de “cangaceiro romântico” ou Robin Hood regional. O texto também aborda o papel ativo da literatura na formação da memória social e da identidade regional, examinando a interação entre ficção, pensamento científico e narrativas populares.