Quarenta anos de formação docente no semiárido: memórias, currículo e território na história da Licenciatura em Matemática da Universidade do Estado da Bahia, Campus VII

Conteúdo do artigo principal

Elizete Ferreira Barbosa
Américo Junior Nunes da Silva

Resumo

Este artigo deriva de uma pesquisa de mestrado desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Educação, Cultura e Territórios Semiáridos da Universidade do Estado da Bahia e focaliza um de seus objetivos específicos: historicizar o curso de Licenciatura em Matemática do Departamento de Educação, Campus VII, em Senhor do Bonfim-BA, buscando compreender como sua proposta pedagógica foi constituída e ressignificada ao longo do tempo. Assumindo a pesquisa narrativa como horizonte epistemológico e metodológico, o texto articula memória, análise documental e interpretação histórica para compreender os movimentos curriculares, políticos e institucionais que atravessaram a formação de professores de Matemática no semiárido baiano desde a implantação do curso, em 1986, até as reformulações curriculares mais recentes. A análise evidencia que o percurso formativo do curso esteve profundamente relacionado às transformações das políticas de formação docente, às demandas sociais do território e às tensões entre modelos tecnicistas e perspectivas contextualizadas de educação. Ao narrar essa trajetória a partir de uma lente situada, marcada pela experiência da autora como estudante, professora e ex-coordenadora do curso, o artigo defende que a formação inicial de professores de Matemática precisa dialogar criticamente com os contextos socioculturais do semiárido, reconhecendo o território como dimensão constitutiva da experiência educativa.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Detalhes do artigo

Como Citar
Barbosa, E. F., & Silva, A. J. N. da. (2026). Quarenta anos de formação docente no semiárido: memórias, currículo e território na história da Licenciatura em Matemática da Universidade do Estado da Bahia, Campus VII . Revista Baiana De Educação Matemática, 7(1), e202614. https://doi.org/10.47207/rbem.v7i1.27489
Seção
Artigos - Fluxo Contínuo
Biografia do Autor

Elizete Ferreira Barbosa, Universidade do Estado da Bahia

Atualmente é professora no Departamento de Educação da Universidade do Estado da Bahia, Campus VII. Possui Licenciatura em Matemática pela Universidade do Estado da Bahia (1994) e Mestrado pelo Programa de Pós-Graduação em Educação, Cultura e Territórios Semiáridos (PPGESA/UNEB). Integra o Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Matemática (LEPEM/CNPq), o Grupo de pesquisa Educação, Desenvolvimento e Profissionalização do Educador (UNEB) e é coordenadora da OBMEP do Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada. Foi professora de matemática e física - Colégio Estadual de Senhor do Bonfim. Tem experiência na área de Matemática, com ênfase em Matemática.

Américo Junior Nunes da Silva, Universidade do Estado da Bahia, UNEB, Senhor do Bonfim/Juazeiro/BA, Brasil

Professor do Departamento de Educação da Universidade do Estado da Bahia (Uneb - Campus VII) e docente permanente do Programa de Pós-Graduação em Educação, Cultura e Territórios Semiáridos - PPGESA (Uneb - Campus III). Doutor em Educação pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Mestre em Educação pela Universidade de Brasília (UnB), Especialista em Psicopedagogia Institucional e Clínica pela Faculdade Regional de Filosofia, Ciências e Letras de Candeias (IESCFAC), Especialista em Educação Matemática e Licenciado em Matemática pelo Centro de Ensino Superior do Vale do São Francisco (CESVASF). Foi professor e diretor escolar na Educação Básica. Coordenou o curso de Licenciatura em Matemática e o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid) no Campus IX da Uneb. Foi coordenador adjunto, no estado da Bahia, dos programas Pró-Letramento e PNAIC (Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa). Participou, como formador, do PNAIC/UFSCar, ocorrido no Estado de São Paulo. Pesquisa na área de formação de professores que ensinam Matemática, Ludicidade e Narrativas. Integra o Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Matemática (CNPq/UFSCar).

Referências

AB’SÁBER, Aziz Nacib. Sertões e sertanejos: uma geografia humana sofrida. Estudos Avançados, São Paulo, v. 13, n. 36, p. 7-30, 1999.

BRASIL. Conselho Federal de Educação. Parecer CFE n.º 292/62. Dispõe sobre a Prática de Ensino nos cursos de licenciatura. Brasília, 1962.

BRASIL. Conselho Federal de Educação. Resolução CFE n.º 09/69. Dispõe sobre a Prática de Ensino e estágio supervisionado nos cursos de formação de professores. Brasília, 1969.

BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Conselho Pleno. Resolução CNE/CP n.º 1, de 18 de fevereiro de 2002. Institui Diretrizes Curriculares Nacionais para a formação de professores da Educação Básica. Brasília, 2002.

BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Conselho Pleno. Resolução CNE/CP n.º 2, de 19 de fevereiro de 2002. Institui a duração e a carga horária dos cursos de licenciatura. Brasília, 2002.

BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Câmara de Educação Superior. Resolução CNE/CES n.º 3, de 18 de fevereiro de 2003. Institui Diretrizes Curriculares para os cursos de Matemática. Brasília, 2003.

BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Conselho Pleno. Resolução CNE/CP n.º 2, de 1.º de julho de 2015. Define as Diretrizes Curriculares Nacionais para a formação inicial em nível superior. Brasília, 2015.

BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Conselho Pleno. Resolução CNE/CP n.º 2, de 20 de dezembro de 2019. Define as Diretrizes Curriculares Nacionais para a formação inicial de professores. Brasília, 2019.

BRASIL. Lei n.º 4.024, de 20 de dezembro de 1961. Fixa as Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Brasília, 1961.

BRASIL. Lei n.º 13.005, de 25 de junho de 2014. Aprova o Plano Nacional de Educação (PNE). Brasília, 2014.

CERTEAU, Michel de. A invenção do cotidiano: artes de fazer. 3. ed. Petrópolis: Vozes, 1998.

CLANDININ, D. Jean; CONNELLY, F. Michael. Pesquisa narrativa: experiência e história em pesquisa qualitativa. 2. ed. Uberlândia: EDUFU, 2015.

D’AMBROSIO, Ubiratan. Etnomatemática: elo entre as tradições e a modernidade. Belo Horizonte: Autêntica, 1998.

D’AMBROSIO, Ubiratan. Educação Matemática: da teoria à prática. 23. ed. Campinas: Papirus, 2012.

DUARTE, Newton. A individualidade para si: contribuição a uma teoria histórico-crítica da formação do indivíduo. Campinas: Autores Associados, 2013.

FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da esperança: um reencontro com a Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992.

GATTI, Bernardete Angelina. Formação de professores no Brasil: características e problemas. Educação & Sociedade, Campinas, v. 31, n. 113, p. 1355-1379, 2010.

GATTI, Bernardete Angelina. Formação de professores: condições e problemas atuais. Revista Internacional de Formação de Professores, Itapetininga, v. 5, p. 1-17, 2016.

GATTI, Bernardete Angelina et al. Professores do Brasil: novos cenários de formação. Brasília: UNESCO, 2019.

LIBÂNEO, José Carlos. Pedagogia e pedagogos, para quê? 12. ed. São Paulo: Cortez, 2022.

MACEDO, Roberto Sidnei. Etnopesquisa crítica, etnopesquisa-formação. Brasília: Líber Livro, 2000.

NÓVOA, António. Os professores e a sua formação. Lisboa: Dom Quixote, 1992.

NÓVOA, António. Profissão professor. Porto: Porto Editora, 1999.

PIMENTA, Selma Garrido. Docência no ensino superior. 5. ed. São Paulo: Cortez, 2014.

RICOEUR, Paul. Tempo e narrativa. Campinas: Papirus, 1996.

RIESSMAN, Catherine Kohler. Narrative methods for the human sciences. Los Angeles: Sage, 2008.

SACRISTÁN, José Gimeno. Poderes instáveis em educação. Porto Alegre: Artmed, 1999a.

SACRISTÁN, José Gimeno. O currículo: uma reflexão sobre a prática. Porto Alegre: Artmed, 1999b.

SANTOS, Boaventura de Sousa. Pela mão de Alice: o social e o político na pós-modernidade. 7. ed. São Paulo: Cortez, 2001.

SANTOS, Boaventura de Sousa. A universidade no século XXI: para uma reforma democrática e emancipatória da universidade. 3. ed. São Paulo: Cortez, 2004.

SAVIANI, Dermeval. História das ideias pedagógicas no Brasil. 4. ed. Campinas: Autores Associados, 2011.

SAVIANI, Dermeval. Escola e democracia. 44. ed. Campinas: Autores Associados, 2019.

SCHISTEK, Haroldo. A nova invasão do semiárido. Juazeiro: Selo Editorial RESAB, 2013.

SILVA, Américo Junior Nunes da. A ludicidade no laboratório. Curitiba: CRV, 2014.

SILVA, Américo Junior Nunes da. “Prática” e “Estágio Supervisionado” na formação de professores: o que revela um curso de Licenciatura em Matemática da UNEB? Revista de Educação Matemática, [s. l.], v. 17, p. e20034, 2020.

SILVA, Américo Junior Nunes da. O educador matemático e o planejamento da atividade pedagógica: o que revela um estudo de caso com professores do semiárido baiano? Revista Internacional de Pesquisa em Educação Matemática, Brasília, v. 13, n. 2, p. 1–17, 2023.

SUZART, Leonardo de Araújo; SILVA, Américo Junior Nunes da. O estágio supervisionado e o constituir-se professor de Matemática: “Ser ou não ser professor?”. Educação Básica Revista, v. 6, n. 1, p. 131-141, 2020.

TARDIF, Maurice; LESSARD, Claude. O trabalho docente: elementos para uma teoria da docência como profissão de interações humanas. 4. ed. Petrópolis: Vozes, 2008.

UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA (UNEB). Projeto Pedagógico do Curso de Licenciatura em Matemática – Campus VII. Salvador: UNEB, 2011.

UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA (UNEB). Projeto Pedagógico do Curso de Licenciatura em Matemática – Campus VII. Salvador: UNEB, 2024.

UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA (UNEB). Conselho Universitário. Resolução CONSU n.º 272/2004. Autoriza o funcionamento do Curso de Licenciatura em Matemática do DEDC VII. Salvador: UNEB, 2004.

UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA (UNEB). Conselho Superior de Ensino, Pesquisa e Extensão. Resolução CONSEPE n.º 1.151/2010. Aprova alterações curriculares do curso. Salvador: UNEB, 2010.

UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA (UNEB). Resolução UNEB n.º 795/2007. Regulamento Geral de Estágio Supervisionado. Salvador: UNEB, 2007.

UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA (UNEB). Resolução UNEB n.º 1.150/2010. Regulamenta as Atividades Acadêmico-Científico-Culturais (AACC). Salvador: UNEB, 2010.

UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA (UNEB). Resolução CONSEPE n.º 2.018/2019. Dispõe sobre curricularização da extensão. Salvador: UNEB, 2019.

UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA (UNEB). Resolução CONSEPE n.º 1583/2013. Dispõe sobre a obrigatoriedade de Libras nos cursos de graduação. Salvador: UNEB, 2013.

Artigos mais lidos pelo mesmo(s) autor(es)

1 2 > >>