Eco vingança: Representações Literárias da Natureza como Sujeito de Retaliação
Palavras-chave:
Eco-vingança. Ecocrítica. Capitaloceno.Resumo
Este artigo propõe o conceito de eco vingança como ferramenta crítica para analisar narrativas contemporâneas que encenam a reação da natureza frente à devastação ambiental promovida pelo projeto moderno-capitalista. A partir de uma abordagem ecocrítica e pós-humanista, o estudo investiga obras literárias, cinematográficas e midiáticas nas quais a natureza deixa de ser pano de fundo inerte para tornar-se agente ativo de justiça ou retaliação simbólica. Fundamentado em teóricos como Cheryll Glotfelty, Laurence Buell e Jason W. Moore, o trabalho articula os paradigmas do Antropoceno e do Capitaloceno à emergência de representações ficcionais que dramatizam catástrofes ecológicas, colapsos civilizacionais e insurgências do mundo natural. Analisam-se obras como Frankenstein, The Drowned World, Aniquilação, Godzilla, Long Weekend e Não Olhe para Cima, identificando nelas uma inflexão estética marcada pela presença de uma natureza dotada de agência, consciência e temporalidade próprias. O artigo argumenta que tais narrativas funcionam como catalisadores simbólicos de inquietações ambientais e propõem um deslocamento epistemológico: do humano como centro da narrativa à natureza como instância ontológica autônoma. A eco vingança, assim, revela-se não como metáfora de destruição, mas como denúncia e horizonte de crítica radical ao esgotamento do paradigma antropocêntrico.
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Referências
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