Desmistificando o Falante Nativo: crenças de um grupo de estudantes de Inglês no contexto de duas escolas públicas da Bahia
Palavras-chave:
falante nativo, crenças, língua inglesaResumo
O presente trabalho buscou compreender quais as crenças articuladas por estudantes de língua inglesa em duas escolas públicas do interior da Bahia, acerca do falante nativo de língua inglesa. Para a realização desta pesquisa, adotamos a metodologia de cunho interpretativista, com abordagem quantitativa-qualitativa para interpretar os dados obtidos, através da aplicação de um questionário. Para tanto, tomamos como base alguns estudos sobre o mito do falante nativo ideal, propagado pelo imperialismo linguístico anglófono, que criou a necessidade de uma língua global. Para além disso, nos apropriamos do conceito de crenças, para analisar a maneira como a visão que estudantes possuem de quem fala inglês, como primeira língua, impacta o processo de aprendizagem, o que se configurou como o nosso principal objetivo. Com base nos dados, foi possível concluir, dentre outros aspectos, que as crenças que os alunos possuem influenciam a maneira como percebem o ensino de inglês, exercendo influência direta em suas atitudes frente ao próprio aprendizado. Foi possível concluir também que os estudantes possuem crenças relativas ao falante nativo de língua inglesa, dentre essas a de que um professor nativo consegue ensinar melhor por ser fluente ou que o inglês da América do Norte é melhor.
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