Do português ao pretuguês
: pensar uma educação linguística antirracista
Resumo
Este artigo propõe pensar o ensino de língua. Nesse trabalho, o nome da língua falada em território brasileiro será chamado de pretuguês, devido às influências das línguas africanas na formação da língua falada distinta do português europeu. Estudos realizados, desde a década de 1930 (Mendonça, 1936), e recentes (Castro, 2022), têm demonstrado que as línguas africanas alteraram as línguas (sejam as que foram fabricadas ou impostas pelo colonizador) em seus aspectos lexicais, fonológicos, morfológicos e sintáticos, plasmando, desse modo, uma nova língua. Uma educação linguística lograria êxito se rompesse com a herança colonialista e com o seu efeito mais nocivo: o racismo linguístico. É mister, portanto, pensar outros estudos linguísticos que incorporam os estudos sobre a linguagem a partir de pensadores negros(as) contemporâneos (as) (Gonzalez, 1984; Fanon, 2008; Hall, 2003, 2016; Mbembe, 2020), para a insurgência contra o ensino colonizado da língua e proposição de uma educação linguística anticolonialista e antirracista.
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