Transposições metodológicas galileanas

Walter Duarte Araújo Filho

Resumo


A maneira de fazer ciência de Galileu é muito controversa. Alguns historiadores interpretam seu trabalho do ponto de vista do empirismo, isto é, a ciência construída usando dados obtidos através dos sentidos, esses interpretados à luz do raciocínio lógico-matemático. Outros interpretam seu trabalho do ponto de vista do racionalismo, isto é, a ciência construída a partir da realidade à priori, ou seja, a partir do raciocínio hipotético-dedutivo puro. Nesta visão, as incursões experimentais galileanas tiveram um papel secundário no desenvolvimento de sua obra. É estabelecido, portanto, nas duas formas de interpretar, uma visão assimétrica de fazer ciência. O método científico é visto como uma receita, e que para obter o verdadeiro conhecimento, é imperativo seguir certas regras ou restrições pré-determinadas.

No entanto, também há interpretações livre de sectarismos, promovendo a gênese do pensamento galileano para um nível muito mais complexo e rico. Segundo estas interpretações, Galileu é visto como um gênio e não como um grande talento. O que diferencia um gênio de um grande talento é que ele (o gênio) acrescenta à intuição ao talento, que sinaliza o momento certo para transpor as duas instâncias: empírica e racional.

Tratando dessa maneira, o trabalho de Galileu desafia a tese a ser um processo assimétrico e fechado e é substituído por um viés dialético, deixando o caráter fechado e estático, com a intuição e imaginação desempenhando papéis essenciais no desenvolvimento de sua obra, daí o gênio do caráter de sua personalidade

Referências


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