Escrita de si e memória: a narrativa como testemunho de vidas

Hudson Marques da Silva, Josimere Maria da Silva

Resumo


Este ensaio propõe uma discussão em torno dos conceitos de “memória”, “escrita de si” e “literatura de testemunho” numa tentativa de pensar o papel que ambos desempenham na construção de um texto em que o sujeito narra a sua própria história. Para isso, tomam-se como exemplos duas obras da literatura latino-americana: Margem das lembranças, romance escrito na década de 1960, pelo escritor pernambucano Hermilo Borba Filho, e Paula, da escritora chilena Isabel Allende, com datação de três décadas depois. Em comum, estas obras de caráter autobiográfico trazem em suas superfícies a reconstrução em tom memorialístico das vidas de seus autores através de uma narrativa em primeira pessoa: a obra hermiliana nos apresentando um sujeito que busca, antes de tudo, uma compreensão de si mesmo a partir de seu próprio testemunho e a narrativa de Allende expondo o desespero de uma mãe que acredita inutilmente que, ao contar sua trajetória, estará aproximando da vida uma filha que já se encontra em coma profundo e irreversível. Assim, tenta-se compreender como a recorrência à memória contribui para a construção de uma escrita de si nos textos ora citados e também de que modo esse tipo de escrita dá conta de dizer o sujeito que testemunha sua vida.

Palavras-chave


Escrita de si; Memória; Literatura de testemunho; Isabel Allende; Hermilo Borba Filho.

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ISSN: 2176-5782

Classificação Qualis CAPES: Linguística e Literatura - B3

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