Antropofagia literária: Um receituário clariceano em Laços de Família

Cinthia Elizabet Otto Rolla Marques

Resumo


A presença do alimento na literatura surge como um elemento simbólico de representação que, além de relatar cenas do ambiente familiar, encontros ou outras situações, permite que a personagem desencadeie ações e contribui para a sua caracterização física e psicológica. A personagem e o alimento relacionam-se mutuamente e não apenas pela necessidade da figura humana (na Literatura, figura “de papel”) precisar de se alimentar. O alimento exerce um papel semiótico, a personagem nutre-se não apenas de comida, alimenta-se também do outro, numa atuação antropofágica para suprir a carência de sentimentos, quando se depara com a estranheza, com instintos primitivos ou com a necessidade de sobrevivência, numa investida para compreender o mundo ou a si mesma. Diante disto, propomos analisar os contos de Clarice Lispector (1920 – 1977), reunidos na obra Laços de Família (1960), com o intuito de identificar os tipos de representações dos alimentos e relacioná-los com a construção de identidade das personagens, assinalando o conceito de antropofagia clariceana e reconhecendo, desta forma, as relações da comida com as personagens no que toca ao título da obra: os laços de família.

Palavras-chave


Literatura; Estudos Culturais; Identidade

Texto completo:

PDF

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


ISSN: 2176-5782

Classificação Qualis CAPES: Linguística e Literatura - B3

Indexadores:

        

 

 Esta obra está licenciada com uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.