Ferramentas tecnológicas para prevenção dos erros de medicação no ambiente hospitalar

Karoline R. L. Leite, Valeska F. Ribeiro, Josiane S. M. Carvalho

Resumo


Existe uma preocupação crescente, por parte dos profissionais e órgãos de saúde, com a segurança do paciente. Por isso, em 2017, a Organização Mundial da Saúde (OMS/WHO) lançou o Desafio Global de Segurança do Paciente “Medicação Sem Danos”, no qual, o objetivo é reduzir em até 50%, nos próximos 5 anos, as injúrias graves provocadas pelos erros no processo de medicação [SOARES et  al. 2018]. Segundo a OMS [2017], “erros de medicação causam pelo menos uma morte todos os dias e ferem aproximadamente 1,3 milhão de pessoas anualmente nos Estados Unidos da América”. A partir do exposto, fica mais clara, a necessidade da utilização de tecnologias em saúde, para aprimorar o sistema de medicação e simultaneamente auxiliar na prevenção dos erros de medicação. Sendo assim, o objetivo deste estudo é verificar quais as principais tecnologias em saúde utilizadas como ferramentas de prevenção dos erros de medicação no âmbito hospitalar. O presente estudo foi realizado, na modalidade revisão bibliográfica, quantitativa e qualitativa, buscando os artigos dos últimos 5 anos, além de livros, documentos e boletins de cunho técnico-científico, nos idiomas português e inglês, através das bases BVS, LILACS, PubMED, SciELO, Google Acadêmico e Proqualis. Foram utilizadas as palavras-chave: erros de medicação, ferramentas para prevenção dos erros de medicação e tecnologia em saúde.Foram pesquisados 33 artigos. Desses, 7 foram excluídos e 26 incluídos no estudo. Em boa parte dos estudos, as principais tecnologias citadas como eficientes na prevenção dos erros de medicação em hospitais foram a prescrição eletrônica, sistema de códigos de barra, bombas de infusão e treinamento da equipe multidisciplinar.Diante do exposto, nos estudos analisados, pode-se concluir que o uso de tecnologias em saúde para a prevenção dos erros de medicação é uma prática que contribui significativamente para a redução na taxa dos erros de medicação e, consequentemente, para a promoção da saúde, segurança e bem-estar dos pacientes no ambiente hospitalar.  As mesmas, mostraram-se eficientes na prevenção dos erros de medicação, diminuindo as taxas de erros quando utilizadas da maneira correta. De leve a dura, todas as tecnologias em saúde são úteis se aplicadas corretamente, de acordo com os recursos humanos e financeiros disponíveis de cada hospital, e também com o perfil da instituição. 



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