Neuroplasticidade e jogos digitais: uma compreensão a partir da Biologia da Cognição

Washington Sales do Monte, Adilson Rocha Ferreira, Karla Rosane Do Amara Demoly, Robélius De-Bortoli

Resumo


Esse artigo tem como objetivo apresentar uma experiência que articula o conceito da Neuroplasticidade Cerebral e sua relação com jogos digitais, usando como background a Biologia da Cognição de Humberto Maturana e Francisco Varela. Como procedimento metodológico foi utilizado o método da pesquisa-intervenção em conjunto com o método da cartografia praticada no processo/intervenção para o acompanhamento de processos de atenção na interação de crianças com jogos digitais. Os mapas foram escritos a partir do organização e desenvolvimento de oficinas de jogos digitais. A pesquisa-intervenção foi realizada no período de 2013 a 2014 no Centro de Atenção Psicossocial Infantil –CAPSi, na cidade de Mossoró/RN. 8 crianças participaram da pesquisa. Como recorte, trazemos apenas os processos de uma criança, como variável direta foi acompanhamento o processo da Atenção. Com a experiência, pode ser percebido a modulação dos processos da atenção ao longo do desenvolvimento das oficinas nos jovens participantes. Pela mudança de comportamento da criança autista observada, pode ser observaod que os jogos digitais podem ser utilizados para o desenvolvimento de novas plasticidades em um sujeito.


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