A CRIANÇA E SUAS NARRATIVAS: A (AUTO)BIOGRAFIA NO ESPELHO

Sandra Maia-Vasconcelos

Resumo


Os estudos sobre narrativas produzidas por crianças ainda são incipientes, no campo da Linguística, embora já encontrem uma efetiva difusão nas áreas da Sociologia, da Psicologia e da Pedagogia. Nossa pesquisa pretendeu contribuir com a ciência, trazendo para o campo da Linguística essa abordagem que pode apoiar a formação docente, nas áreas de línguas, em particular no ensino da língua materna, quando busca, pela valorização da criação verbal, entreter uma relação entre o universo lexical da criança e sua disposição à descoberta da narrativa, como gênero de intuito criador É importante que ressaltemos o que vêm a ser narrativas infantis: ora, nós precisaremos narrativas infantis como sendo narrativas contadas por crianças, histórias narradas por crianças; ora, histórias contadas para crianças por algum adulto presente; ora, histórias universais criadas para o público infantil em geral. Deste modo, diferenciaremos narrativas infantis como histórias universais contadas para crianças, e as histórias narradas pelas crianças, como sendo suas histórias, serão as narrativas das crianças, suas próprias vidas ou adaptações que elas fazem de suas próprias vidas, a partir de histórias populares, ficcionais ou não. Para esse intuito, traremos à tona os detalhes que as crianças elaboram em seus discursos narrados, incluindo o imperfeito lúdico, nas narrativas tradicionais, e retomadas intuitivamente pelas crianças.


Palavras-chave


Narrativas infantis; História de vida; Autorreflexividade

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DOI: http://dx.doi.org/10.31892/rbpab2525-426X.2016.v1.n3.p584-602

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