Formação de professores e professoras indígenas no chão das aldeias do norte e oeste da Bahia, Brasil

Floriza Maria Sena Fernandes, Anny Carneiro Santos

Resumo


A educação escolar indígena no Brasil foi imposta aos povos originários e tecida  nos modelos eurocêntricos numa tentativa de colonizar  e civilizar não só os corpos, mas também seus saberes, sua ciência, seus ritos e mitos, sua organização social, sua cosmologia. Resistindo ao projeto civilizatório os povos indígenas vem lutando por um sistema próprio de Educação Escolar diferenciado e intercultural com os saberes construídos em sua cosmovisão e nos espaços contextualizados. Eles têm inaugurado experiências localizadas em cada povo, região e/ou aldeia, demonstrado eficácia e força criativa na dinâmica do contato com os “outros”, demarcando os processos de resistência, permanência e/ou transformações culturais, promovendo mudanças em relação à perspectiva colonialista de assimilação e integração na sociedade hegemônica não indígena. Este texto discute as perspectivas da educação escolar indígena partindo da experiência da Ação Saberes Indígenas na Escola no Território Etno Educacional Yby Yara e mostra a necessidade desta ação ser assumida como política públicade formação de professores da Educação Escolar Indígena no Estado da Bahia.

Palavras-chave


Educação Indígena; Ação Saberes Indígenas; Políticas Públicas; Formação de professores

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