MULHER NEGRA: INTERSECCIONANDO GÊNERO, RAÇA, CLASSE, CULTURA E EDUCAÇÃO

Ana Cláudia Lemos Pacheco, Martha Maria Brito Nogueira

Resumo


Este artigo analisa a trajetória de uma mulher negra de classe popular, baiana de acarajé, que se torna um dos maiores ícones da cultura popular afro-brasileira, na cidade de Vitória da Conquista, na Bahia, nos séculos XX e XXI. A reconstrução da memória de Dona Dió do Acarajé nos levou a compreender a rede de relações sociais e culturais que se constituiu na criação do “Grupo Recreativo Escola de Samba União de São Vicente” e o processo de preservação e recriação das tradições
culturais na valorização de símbolos da cultura popular local. A nossa abordagem é perscrutar, através da perspectiva do Standpoint Theory Feminist (COLLINS, 1989), o eixo interseccional (CRENSHAW, 2002) que articula as diversas diferenças e identidades – gênero-raça, classe e outras – presentes na trajetória social dessa mulher negra que, através do saber da cultura afro-brasileira e do trabalho, contribuiu
para modificar práticas de exclusão social e transformar a sua história de vida e a de sua comunidade


Palavras-chave


Mulheres negras. Interseccionalidade. Educação. Saberes afro-brasileiros.

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DOI: http://dx.doi.org/10.21879/faeeba2358-0194.2016.v25.n45.p%25p

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e-ISSN: 2358-0194

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