Dinâmica Aprendente pela/na Educação: contraponto às referências e itinerários culturais no processo de escolarização

Silvia Lucia Lopes Benevides, Luiz Gonzaga Gonçalves

Resumo


O artigo objetiva evidenciar a tensão existente entre o arbitrário cultural que se tenta incutir nas formas de pensamentos e métodos de ensino e as múltiplas referências culturais, que se revelam e se expressam nos atos do currículo. Tendo em vista à dinâmica aprendente propiciada pela/na educação, que não somente reproduz, também produz, gera o novo, cria elementos e novas relações, contrapõe-se às referências e itinerários culturais definidos no processo de escolarização, de acordo com a crítica bourdieusiana, os movimentos ou trânsitos operados pelos sujeitos do ato educativo na configuração/reconfiguração dos espaços-tempos escolares. Reflete sobre o que é suscetível de ser ensinado aos jovens populares, questionando os processos de definição e os critérios de construção dos saberes adotados pela escola e problematizando o acesso a um pretenso saber universal em uma escola culturalmente plural. Apresenta a concepção intercrítica como promissora na resolução de tal impasse, enfatizando o papel ativo dos sujeitos e da educação, enquanto experiência formadora que não pode desconsiderar, nos trânsitos curriculares, os sentidos, as experiências e os conhecimentos que cada homem e cada mulher assumem na construção de suas próprias existências.

Palavras-chave


Educação Popular; Saberes; Juventude; Escolarização; Intercrítica

Texto completo:

PDF

Referências


Atlan, H. (1994). Com razão ou sem ela: intercrítica da ciência e do mito. Trad. Fátima Gaspar e Fernando Gaspar, Lisboa: Instituto Piaget.

Benevides, S.L. (2017). Trânsitos curriculares dos jovens populares na escola. 2017.151f. Tese (Doutorado em Educação) - Centro de Educação, Universidade Federal da Paraíba-UFPB.

Bourdieu, P. (1989). O poder simbólico. Tradução Fernando Tomaz. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil.

Bourdieu, P. (2013). A economia das trocas simbólicas. 7. ed. São Paulo: Perspectiva.

Bourdieu, P.; Passeron, Jean-Claude. (2013). A reprodução: elementos para uma teoria do sistema de ensino. 6, ed. Rio de Janeiro: Vozes.

Castoriadis, C. (1982). A instituição imaginária da sociedade. Rio de Janeiro: Paz e Terra.

Charlot, B. (2000). Da relação com o saber: Elementos para uma teoria. Porto Alegre: Artmed.

Charlot, B. (2005). Relação com o Saber, formação de professores e globalização. Porto Alegre: ArtMed.

Dayrell, J. (2003). O jovem como sujeito social. Revista Brasileira de Educação, n º 24, set -dez, pp. 40-52. Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação, Rio de Janeiro, Brasil. Disponível em:< http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=27502404> Acesso: março 2015.

Freire, P. (1992). Pedagogia da Esperança: um encontro com a Pedagogia do Oprimido. Nota: Ana Maria Freire. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992.

Freire, P. (1996). Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra.

Freire, P. (2005). Pedagogia do Oprimido. 41. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra.

Gadamer, H.G. (2002). Verdade e Método II. Tradução Ênio P. G.; revisão da tradução Márcia S. Cavalcante-Schuback. Petrópolis, RJ: Ed. Vozes.

Macedo, R. S. (2007a.). Currículo: campo, conceito e pesquisa. Petrópolis, RJ: Vozes.

Macedo, R. S. (, 2007b.). Currículo, diversidade e equidade: luzes para uma educação intercrítica. Salvador: EDUFBA.

Mignolo, W. (2003). Histórias locais/ projetos globais: colonialidade, saberes subalternos e pensamento liminar. Belo Horizonte: Editora UFMG.

Paludo, C. (2006). Educação Popular – Dialogando com Redes Latino-Americanas (2002-2003). In: Pontual, P.; Ireland, T. (organizadores). Educação Popular na América Latina: diálogos e perspectivas. Brasília: Ministério da Educação: UNESCO, p.41-61.

Silva, T. T. da.(1992). O que produz e o que reproduz em educação: ensaios de sociologia da educação. Porto Alegre: Artes Médicas.

Thompson, J. B. (2002). Ideologia y cultura moderna: teoria crítico social en la era de la comunicación de massa. México, D.F: Universidad Autônoma Metropolitana (UAM).

Torres Carrilo, A. (2013). A educação popular como prática política e pedagógica emancipadora. In: Streeck , D. R.; Esteban, M. T. (orgs.). Educação popular: lugar de construção social e coletiva. Petrópolis, RJ: Editora Vozes, p. 15-32.

UNESCO (2004). Políticas públicas de/para/com as juventudes. – Brasília: UNESCO, 2004. Disponível em: . Acesso: janeiro 2015.


Apontamentos

  • Não há apontamentos.

Comentários sobre o artigo

Visualizar todos os comentários


Direitos autorais 2018 Revista Brasileira de Educação de Jovens e Adultos

ISSN 2317-6571

ESTA REVISTA ESTÁ INDEXADA EM:

DIADORIM, PORTAL SEER, Periódicos CAPESDOAJ, JournalTOCs, CREFAL - Recursos Especializados en EPJA, Latindex

 

QUALIS B1 em Ensino

QUALIS B2 em Educação

QUALIS B3 em Planejamento Urbano e Regional/Demografia

QUALIS B3 em Interdisciplinar

QUALIS B5 em Comunicação e Informação

A Revista Brasileira de Educação de Jovens e Adultos é uma publicação do Grupo de Pesquisa Cultura, Currículo e Políticas na Educação de Jovens e Adultos - CULT-EJA.

VISITANTES:  contador de acessos