A emergência da escola de EJA de Vitória/ES e as políticas de alfabetização: a primazia da prática

Henrique José Alves Rodrigues

Resumo


Como resultado de pesquisa concluída, este texto focaliza as políticas de alfabetização – da UNESCO, do Estado brasileiro, do município de Vitória e de uma escola exclusivamente de EJA, tendo como objeto para a concentração do olhar as concepções de alfabetização que balizaram tais políticas. Em diálogo com diferentes autores, tomamos como intercessores privilegiados o educador Paulo Freire, pela via da educação popular e o filósofo Jacques Derrida, pela via de seu gesto de desconstrução, para investigar a heterogeneidade de sentidos que caracterizam as políticas de alfabetização, tendo como ênfase a categoria da prática, bem como a atual dispersão conceitual em relação à alfabetização e ao modo de conceber o sujeito que se alfabetiza. A pluralização da noção de alfabetização com base na questão do contexto e da prática, parte da necessidade, na visão da UNESCO, de concentrar esforços financeiros em grupos sociais mais vulneráveis em que ganham força os conceitos de políticas focais e de empoderamento. Os resultados indicam que as políticas de alfabetização das duas últimas décadas podem nos dar elementos para a criação de uma política da memória, que os tempos atuais, de esvaziamento da institucionalidade democrática, requerem para combatermos uma política de esquecimento, que caracteriza os períodos de arbítrio, bem como impulsionar o prosseguimento das lutas.

 


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