A GEOGRAFIA DO COTIDIANO E A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO GEOGRÁFICO

ROSANGELA PATRÍCIA DE SOUSA MOREIRA, CLAUDIA MOREIRA DE SOUSA PIRES

Resumo


O ensino de geografia para ser eficaz, não pode está limitado aos escritos no livro didático, muito menos desassociado do lugar-mundo de estudantes. Nesse ensaio, discutimos a necessidade de que o ensino de geografia seja refletido, questionado e ampliado a partir das relações cotidianas dos sujeitos envolvidos no processo de ensino-aprendizagem. Considerando o cerne da ciência geográfica, o lugar, como o lócus das relações cotidianas, onde os indivíduos realizam suas atividades, bem como se constroem e reconstroem constantemente enquanto sujeitos sociais, o estudo dessa ciência é inconcebível quando se separa o sujeito do objeto, visto que a construção de ambos se dá a partir das relações entre eles, mutuamente. Neste sentido, surgiu a proposição de discutir a produção do conhecimento geográfico a partir da geografia do cotidiano, ressaltando a importância de (re)conhecer o lugar, como ponto de partida para o entendimento e compreensão do mundo. De forma relevante, o primeiro passo foi mapear abordagens sobre a temática desta discussão, em dois ambientes de educação pública na cidade de Valença-BA, sendo um de nível fundamental e outro do ensino médio. Em segundo plano, o levantamento de propositivas para aprendizagem dos estudantes, enaltecendo a presença e difusão do conhecimento, a partir da educação geográfica. A partir da imersão numa pesquisa participante junto aos agentes principais – professores de geografia e alunos –, através da coparticipação de aulas e aplicação de questões que validaram a investigação, destacamos algumas propostas de ensino, que se apresentaram como proposições de valorizar o conhecimento prévio do aluno e as questões do lugar de vivência, apoiado nas discussões a partir da educação geográfica. Outro destaque está na inserção de recursos geotecnológicos como mapas locais, saídas de campo para (re)conhecer o bairro ou problemáticas da cidade, reforçando o discurso e a presença da geografia do cotidiano como parte essencial na formação crítica do estudante sobre os fatos que o cercam. Esta prática vai de encontro ao formato tradicional, do conhecimento centrado na figura do professor, abrindo assim, possibilidades de uma contextualização e maior participação do estudante nas questões apresentadas durante as aulas de geografia. Contudo, cabe ressaltar que ao longo da investigativa, evidenciou-se também a necessidade de uma reflexão sobre a práxis docente, pois percebemos a resistência de alguns, na reprodução de conteúdos desvinculados da realidade dos estudantes, sendo que na atualidade, as compreensões do mundo e suas transformações, perpassam por compreender a geografia do lugar, valorizando o cotidiano, como ponto de partida e principal um instrumento para decifrar o mundo em toda sua complexidade. Salientamos ainda que, o ensino - conteúdo não cabe nos traçados de um programa fechado ou limitado aos subtemas presentes num livro didático. Para a disciplina de geografia existem possibilidades outras de se produzir conhecimento na sala de aula, e o principal deles pode estar delineado através da educação geográfica, numa perspectiva de uma geografia que valorize o cotidiano do estudante, fazendo que este se perceba parte integrante das discussões, e um agente potencializador das transformações do lugar e do mundo que o espera.

Palavras-chave


Educação geográfica; Cotidiano; Ensino

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