Documentário indígena: voz, autorrepresentação e outros tensionamentos

Francisco Gabriel Rêgo

Resumo


A voz é um objeto de experiência, e situa-se no centro de um poder que representa o conjunto de valores responsáveis pela fundação das culturas. Além de ser criadora de inúmeras formas de arte, possui um valor simbólico, abstrato e alcança uma dimensão material. É um modo vivo de comunicação poética que vai se firmando ao longo dos séculos, uma herança cultural que é transmitida pela linguagem e outros códigos, por meio dos quais os grupos humanos constroem suas significações e se reelaboram cotidianamente. A imagem da voz emerge nas profundezas do vivido e foge a qualquer tipo de amarra ou fórmulas conceituais, daí aquilo que se destaca como dimensão material está expressa na existência humana, e suas complexas formulações que ultrapassam todas as suas manifestações particulares. Em outras palavras, na sua evocação, a voz “faz vibrar em nós, a nos dizer que realmente não estamos sozinhos”. A partir disso, urge que se teçam breves reflexões acerca da voz dentro da cultura guarani. Este artigo pretende analisar a voz, enquanto objeto de experiência, e a auto-representação, como elemento de legitimação de uma alteridade indígena. Para tanto, utilizaremos como corpus o documentário Mokoi Tekoá Petei Jeguatá: Duas aldeias, uma caminhada. O texto é dividido em 2 momentos: 1) breves considerações acerca do conceito de voz, em que enfocaremos a voz guarani 2) A dimensão oral da representação indígena: o caso do cinema, em que analisaremos de que forma o indígena se auto representa a partir do documentário.


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