Que malandro sou eu? Para uma nova tipologia do malandro brasileiro

Delmar Cruz Bomfim

Resumo


Pretende-se fazer uma nova tipologia do malandro brasileiro que não somente o apresente como um indivíduo ou personagem única e exclusivamente brasileiro; essencialmente vadio, heterossexual, pobre, negro e mercadoria simbólica. Pretende-se também conceitua-lo e depois situa-lo nos diversos campos de representação, com o intuito de rediscutir algumas de suas características. A nova tipologia se aterá ao espaço carioca e soteropolitano, no período que vai de 1822 até 1970. A nova tipologia ganha relevância porque passa a dar visibilidade a diversos tipos e subtipos de malandros pertencentes a diversos grupos raciais, sociais e de diferentes territórios, como também de diferentes categorias sexuais, e que estão ancorados em um conceito único: aquele que tem a malandragem como profissão ou ofício. Esse trabalho ganha também importância no Programa de Crítica Cultural por: dialogar com as diversas áreas do conhecimento ao tratar do tema; analisar a relação política do malandro com o Estado e com a cultura de massa que promoveu sua produção, comercialização e consumo; analisar sua relação estética com a Literatura; e por questionar a postura da intelectualidade que o acolheu e a postura das mídias: televisiva, jornalística e radiofônica que o divulgou. Espera-se que os resultados dessa pesquisa possam levar à desconstrução de crenças acerca do malandro que foram enraizadas e fossilizadas no imaginário popular brasileiro; e que o estereótipo do malandro folclórico, desatrelado da delinquência e atrelado única e exclusivamente à classe pobre, ao estrato social negro, ao território brasileiro, à heterossexualidade masculina, se desfaça e o malandro folclórico seja visto somente como uma manifestação artística e como uma variante dos diversos subtipos de malandro existentes.


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